Que tragédia humanitária indescritível vive o jornalismo contemporâneo! Em qualquer redação bem-comportada do planeta, o crachá de imprensa é considerado um escudo protetor sagrado, uma espécie de armadura diplomática que blinda o portador contra qualquer impertinência balística. Mas, infelizmente, o Exército de Israel parece ter um péssimo hábito de não respeitar a criatividade profissional alheia. Recentemente, as Forças de Defesa de Israel tiveram a petulância de lançar uma base de dados detalhando nada menos que 170 supostos “profissionais da notícia” que foram promovidos ao andar de cima de forma um tanto abrupta.
O escândalo, claro, deixou as agências de notícias tradicionais e os comitês de defesa de direitos alvoroçados. Afinal, como ousa o malvado Estado israelense transformar inocentes repórteres em estatísticas militares? O detalhe menor — um mero detalhe burocrático — é que, segundo as investigações baseadas em documentos internos capturados, dos 170 contemplados no mosaico fotográfico, 118 eram fichados no Hamas e outros 49 operavam ativamente na Jihad Islâmica Palestina. Parece que o único “furo de reportagem” que alguns deles deram na vida foi no muro da fronteira durante os massacres de 7 de outubro.
O Nobel da Polivalência: Atirador de Foguete de Manhã, Correspondente à Tarde
Para a grande mídia global, que adora uma boa narrativa dramática sem checar fontes primárias, cada combatente neutralizado com uma câmera na mão e um fuzil na outra é imediatamente beatificado como um mártir da liberdade de expressão. É uma versatilidade profissional impressionante. O cidadão acorda às 5h da manhã para disparar granadas de morteiro contra civis, passa no RH do Hamas para assinar o holerite das túnicas pretas, pega o colete escrito “PRESS” com letras garadais cedido por grandes redes internacionais e vai dar o seu “testemunho ocular” do conflito.
Quando as forças israelenses interrompem permanentemente as transmissões desses talentosos repórternicos, o mundo civilizado rasga as vestes. Os editoriais indignados logo acusam Israel de atentar contra a sagrada liberdade de imprensa. Ora, que falta de sensibilidade tática! O exército israelense deveria, por uma questão de etiqueta diplomática, mandar um e-mail de aviso prévio com 48 horas de antecedência: “Prezado combatente, notei que o senhor está com um lança-foguetes na mão esquerda e uma credencial de correspondente internacional no bolso direito. Por favor, decida qual crachá vai usar antes do próximo ataque aéreo.”
A Inocência Incomodada Pelas Provas
O mais divertido nessa comédia dramática internacional é ver a ginástica mental exigida para ignorar a realidade. Organizações de proteção à imprensa global já se viram na saia-justa de ter de apagar nomes de suas listas de jornalistas mortos conforme as provas irrefutáveis de filiação ao terrorismo vinham à tona. É um constrangimento técnico e tanto. Afinal, como justificar que o “jornalista investigativo” especializado em cobertura de campo era, na verdade, um comandante de célula encarregado de sequestros?
Enquanto isso, os telejornais ocidentais continuam exigindo que Israel lute uma guerra assimétrica com as regras de um torneio de golfe em clube campestre. Se um combatente se esconde atrás de uma câmera, a culpa é de quem atira de volta. Se o operador de câmara também opera drones de reconhecimento para o batalhão terrorista, ele é subitamente transformado em um anjo da guarda da informação livre.
Conclusão: O Jornalismo que Deixa Rastro de Pólvora
No fim das contas, a grande narrativa progressista mundial continuará a fingir que crachás de imprensa em zonas de conflito sob o domínio de facções fundamentalistas são emitidos por faculdades de jornalismo de alta reputação, e não pelo departamento de propaganda de grupos extremistas. Para os críticos de plantão, o erro de Israel não é combater o terrorismo, mas sim estragar o currículo pós-mortem de 170 talentosos “jornalistas” que apenas tentavam dar o seu melhor — com muita pólvora e pouca apuração de fatos. Resta saber qual será o próximo prêmio internacional concedido postumamente a especialistas em lançamento de foguetes sob o disfarce de repórteres sem fronteiras.